Entrevista Gomes

GOMES
Dantas: Gomes, quais foram os teus primeiros passos no Hip-Hop?
Gomes: Os meus primeiros passos no Hip-Hop passaram mais por ser um ouvinte incansável e assistir ao máximo de concertos possível, tinha um grupo de amigos que gostava do mesmo que eu e não falhavamos um. Na altura a minha irmã tinha amigos que eram rappers, e eu comecei a pensar qu se calhar era possível conseguir. Em 2012/2013, comecei a escrever, quase todos os dias mesmo. Tinha o Dero na minha turma, ele já estava a começar a cena dele e foi isso que me puxou um bocado pra fazer as minhas cenas também. Gravei o meu primeiro som em 2014, tudo completamente sozinho. Mais tarde, por força das amizades de longa data, juntei-me à Demolition e foi quando comecei a lançar cenas para a net.
Dantas: Quem são as tuas influências e referências no Rap?
Gomes: Tento não ter nenhuma influência. É uma palavra forte, tento não ter ninguém que me influencie, fazer o meu de forma a que seja único. Mas referencias tenho algumas. Mais atuais, o Holly Hood (não pelo seu tempo de rap, mas sim o álbum), Zara G, G Son, Django (rap francês) e algumas mais antigas, como o Deau, STK e Virtus. Mas se calhar o mais parecido com influência é o pessoal da minha krew, sem dúvida.
Dantas: Já tiveste problemas pelo caminho que decidiste seguir?
Gomes: Problemas não bro, os cães ladram e a caravana passa. Se podia ter sido como a maior parte e fazer o que o people gosta? Podia, mas não ia ser eu. Tive a minha cena no boom bap, mas a partir da "Abre o Jogo", acho que defini o estilo que queria e sinceramente, quer gostem quer não, é o caminho que vou seguir.
Dantas: Quem são os Demolition e como tudo começou?
Gomes: A Demolition, acima de tudo, é um conjunto de amizades de longa data. Não só os "rappers" mas sim todo o pessoal que está muitas vezes connosco. Mas a Demolition mesmo, é o Dero, o Mol, o KEI e eu. Eu sou o mais "novo" (ahah). O nosso nome mostra que somos muito mais que um grupo de música, somos um estúdio também, fazemos tudo por nós, independentemente do que digam, como nos há poucos. Não te posso falar muito da fundação porque não fiz parte dela, mas como já era grande amigo de todos eles, o convite surgiu e um gajo tá aqui.
Dantas: O que tens a dizer das críticas á volta do Trap?
Gomes: O problema é mesmo serem céticos. Não compreendem que tudo evolui, tudo muda. O Trap não é outro estilo de música.. Trap ou Boom Bap, é Rap! Acho que muita gente que critica é gente que curte e ouve, mas não quer passar essa ideia.
Dantas: Como consideras o teu caminho na música até agora?
Gomes: Sinceramente, ainda não sinto que comecei o meu caminho mesmo a sério. Não me dediquei o suficiente para começar algo, mas 2017 vai ser diferente nesse sentido. Mas uma coisa tenho a certeza, bem ou mal, vai ser o meu caminho e vai ser aquilo que eu quero.
Dantas: O que achas do movimento em Portugal?
Gomes: A nível de produção e qualidade das cenas, Portugal tá a evoluir a olhos vistos. Mc's, Producers e etc, tão a atingir grandes níveis de qualidade. A nível do movimento em si, tá a regredir, principalmente o Norte. Tudo cães ao mesmo osso, só ajudam os amigos, cada vez mais se preocupam em deitar o outro abaixo do que em evoluir. Damos mais buzz ao people de Lx do que propriamente aos "nossos". Mas pode ser que as cenas mudem, se o pessoal se unir isto pode tomar outras proporções.
Dantas: Como achas que está Gaia a nível de qualidade de rappers?
Gomes: Acho que está bom, sinceramente. Nem sempre quantidade é qualidade, mas há cenas muito bem feitas por cá. A nível pessoal, gosto muito do trabalho do Batalha, dos $em $ako, do LóJico e do nosso (Demolition). Há mais pessoal a fazer bem e se não os refiro é mesmo por gosto pessoal ou esquecimento, mas acho que está muito bem encaminhado por cá.
Dantas: Entraste na compilacao " Em Frente Hip Hop Vol.1". Achas isso importante para o movimento?
Gomes: Acho. Temos a possibilidade de ver rappers ou producers distintos no mesmo projecto. São cenas aliciantes e que não "custa" muito. Com força de vontade as cenas acontecem, podem contar sempre comigo para essas cenas.
Dantas: O que tens para breve?
Gomes: A solo, posso adiantar que vou ter o meu primeiro projeto, mixtape Post Mortem, no fim de Janeiro, início de Fevereiro. Já tenho cenas faladas para entrar numa liga de batalhas mas com o tempo as cenas vão se anunciar. Como Demolition, aproveito pra dizer que nos meses a seguir à minha mix, o Dero e o KEI vão lançar uma mix cada um também. Em conjunto, teremos surpresas no último terço do ano.
Dantas: Tens algo a dizer a quem te apoia?
Gomes: Obrigado ao people que tem apoiado, tanto a mim como a Demolition. 2017 vai ser melhor ainda e espero que curtam. Aos que não gostam, tenho-vos a dizer para criarem mais contas para meter dislikes (ahah).
Dantas: Obrigado por aceitares o convite Gomes, estamos juntos! EFHH.
@EmFrenteHipHop2016

