Entrevista Keno

Keno

Métricas De Encaixe

Dantas- Keno, como foram os teus primeiros passos na cultura Hip Hop?

Keno- Os meus primeiros passos na cultura começaram no Graffiti mais ou menos em 2006 ou 2007, contudo a minha música de eleição já era o Rap. Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que o meu primo me trouxe as primeiras músicas de Rap para ouvir. Eu era um gajo que só curtia Marlyn Manson (hahaha), no dia em que ele me trouxe um cd com vários sons da tuga, de um estilo que para mim era novidade, eu simplesmente colei. Parecia que as palavras que eles usavam se identificavam em tudo comigo, cada frase, cada maneira como a frase era dita surpreendia-me. Passados uns longos anos, já depois de dar os primeiros traços na parede, comecei a perceber que era possível eu cantar rap, afinal nao era preciso ter voz, bastava falar do que sentia e gravar tudo num mp3 (hahaha), pelo menos dava para eu ouvir. Por isso considero que esses foram os meus primeiros passos na cultura.


Dantas- Quais as tuas influências e referências no mundo do RAP?
Keno- As minhas influências são obviamente o pessoal com quem estou normalmente e faço musica: Hipno$e, Bessa, Rude, Soldado, Naifas, LS, basicamente M.D.E.
Como referências eu vejo aquilo que considero possível ser feito em Portugal, no momento em que a população aceitar o Rap como um estilo de música.
Neste caso entramos no campo do Rap internacional e vou-te apenas dar alguns nomes se não não saímos daqui (hahaha): SCH, Lacrim, Ghaly.


Dantas- Muita gente admira o teu trabalho pelos teus 'duplos sentidos', o que tens a dizer sobre isso?
Keno- Os duplos sentidos fazem parte das punchlines, sendo possível utiliza-los de outra forma. Eu não trouxe nada de novo com os duplos sentidos, apenas relembrei aquele estilo de Rap que pouco pessoal na tuga fazia, e no Porto ainda menos. A meu ver os duplos sentidos mostram bastante acerca do teu nível de criatividade e capacidade metafórica, o que para mim é importantíssimo num cronista, que afinal é o que todos os rappers ou maioria de nós somos. Depois cabe a cada um utilizar os duplos sentidos como quiser, neste caso eu gosto de javardar (hahaha).


Dantas- Atualmente pertences á "crew" Metricas De Encaixe, como foi o teu caminho no grupo e o que aprendeste com o teu "team"?
Keno- Aprendi que sem união acima de tudo nada acontece. Eu digo sempre que a minha "team" é a que trabalha mais, porque eu sinto isso, um gajo é viciado nesta shit, fazer música. Acordamos para fazer mais um som e deitamo-nos a pensar em ouvi-lo quando acordarmos. Mas se no meio deste trabalho todo não houver união, só o trabalho não vai chegar, por isso aprendi que os verdadeiros ficam sempre independentemente de tudo e Métricas De Encaixe veio para ficar. 


Dantas- O teu último projeto "Keno Puro" foi algo que achaste que teve um feedback positivo?
Keno- Teve o feedback que eu estava à espera, eu fiz a mixtape com calma e tempo sem ter a pressão de a lançar logo a seguir ao impacto das batalhas. Contudo não te minto que estava á espera de mais recepção nos concertos, aproveito para agradecer a toda a gente que apareceu num desses concertos ou até em todos e mostrou o love mas penso que podíamos ter sido mais, contudo também sinto que as festas por vezes são mal divulgadas e que por outro lado a gera ainda tem medo de arriscar a ir a uma festa sem um grande cabeça de cartaz, por isso eu costumo dizer que o pessoal tem receio da novidade.


Dantas- Muita gente acha que tens andado parado, estás a preparar algo para mandares quando estiverem menos à espera?
Keno- Descobri que tenho uma doença e vou divulga-la em breve, até lá, há alguns sons soltos que vão sair, comecei já com o tema "Q.U.E.N.O." produzido pelo Prisma, e entretanto virão outros. Por enquanto adianto que a doença é original...


Dantas- Qual foi o melhor evento que tiveste prazer de atuar? E como ouvinte qual foi o que mais gostaste de não ter faltado?
Keno- Onde gostei mais de actuar foi sem duvida no Hard-Club no ano passado, na festa do "Hip Hop Com Sentido", foi um concerto onde teve toda a minha gera e tocamos temas da label em conjunto, e consegui ver gera na linha da frente a saltar e pessoal ao fundo da sala a cantar, isso deixa-me de coração cheio, e com a sensação de que o trabalho ta a ser bem feito. Mais uma vez obrigado gera!!
O evento que mais curti assistir é difícil dizer, mas posso-te afirmar que curti á brava de Nach no Hard-club, e Dope D.O.D. a primeira vez que cá vieram. 


Dantas- Como achas que vai o movimento em Portugal?
Keno- Podia-te dizer que o movimento está em constante evolução, que temos cada vez mais rappers de qualidade,etc. Mas isso é o que já acontece desde há 5 anos para cá, por isso, atualmente, eu acho que o movimento está para quem tem dinheiro ou então para quem tiver padrinhos ou amigos de peso a impulsionar. Ás vezes basta a partilha da pessoa ou do blog certo para a tua música se tornar na melhor do mundo, faz-me lembrar um bocado o Saramago, foi preciso ser reconhecido com prémios internacionais para ser reconhecido em Portugal como o grande escritor que era. Portugal já devia ter evoluído um bocadinho mais, mas a mentalidade do tuga só o deixa ir até onde lhe dizem que pode ir.
Na minha visão tens poucos "new commers" a virem realmente do nada, sem amigos no ramo, ou sem guita dos papás, para fazer a publicidade certa. Tenho-me apercebido disso conforme me interiorizo no move, vejo que afinal a maioria dos artistas "da praça" têm sempre o apoio de alguém que já consegue influenciar o público, confesso que isso é o que me deixa mais revoltado por dentro, eu nunca fui um gajo de fazer amizades por interesses, nem de andar ai a chupar pilas para chegar onde quero, e por isso sinto que o meu trabalho é ouvido por esses senhores do movimento, mas como eu nao lhes interesso nem tenho a mínima conexão com eles, põem-me de parte, tanto a mim como à minha "team". Por isso é que enquanto a coisa não mudar, as nossas letras vao acabar sempre por ofender quem nos tenta oprimir.
E depois outra cena que me deixa fodido, é ver o pessoal novo a matar-se para segurar o que tem, o que por consequência faz com que a maioria já não ajude a espalhar a mensagem dos outros pois espalha apenas a sua com medo da concorrência. Isso reflecte-se nesta nova geração e a culpa é de quem? Eu deposito a culpa nos grandes senhores que nos ensinaram a convidar só os amigos para os álbuns, só os amigos para as festas, só os amigos para o que quer que fosse. Depois queixam-se que a juventude não aparece nos concertos, que não estao a sentir o apoio que merecem depois de tudo o que fizeram, mas mano, foram eles que nos ensinaram a só partilhar os nossos amigos, por isso em geral não somos assim tão diferentes. Eles partilham os amigos deles, nós partilhamos os nossos e graças a estas atitudes acho o movimento está extremamente competitivo e já não é, nem vai voltar a ser como era. 


Dantas- Que tens a dizer a quem critica o Trap?
Keno- Antes de mais eu faço Rap bro, e não me venham com a tanga de que o Trap é uma vertente do Rap, e o boom bap é que é o verdadeiro, porque aí eu vou-te perguntar se para ti o Rap é so boom bap? Dizem que o Trap é mais fácil porque é o beat que faz tudo, mas quando os vejo a tentar rimar nos beats que fazem tudo eles espetam-se logo nos flows e nos tempos. Depois dizem que é mais fácil de produzir, okappa, quero-vos ver a correr dos 110 aos 150 bpms até apanharem a forma como se faz, se calhar iam ver que não era assim tão fácil. Contudo eu não rimo so Trap mano, eu costumo dizer, "se me deres um "beat de techno" e eu gostar, conta comigo para dropar", o pessoal costuma-se rir quando digo isto, mas é verdade bro, eu passei grande parte da minha juventude em festas de estilos musicais mais agressivos, como por exemplo hardcore, hard-techno, dark-trance, porque raio não havia de dropar um desses estios se alguém me apresenta-se um tema e eu gostar? Ser real não é fazer boom bap, ser real é fazer REALmente o que gostas, se não vais fazer porque o teu vizinho ou o teu grande apoio vai falhar, então és tu que não estás a ser a real, por interesse. Contudo neste momento tenho aí umas surpresas que em nada têm a ver com Trap, mas para responder á tua questão e para quem critica o Trap eu só tenho a dizer que são mentes quadradas, são mentes que temem a evolução da música.

 
Dantas- São muitos os que gostam de ver as tuas battles na Liga, vais continuar com o teu caminho lá?
Keno- Essa é uma pergunta em que à partida a resposta é não, primeiro a minha cena sempre foi fazer música e não batalhas, depois as últimas duas batalhas que eu ia ter (uma delas em terreno internacional) acabaram por não se concretizar e eu perdi meses a escrever, a deixar de mandar dicas em temas para leva-las à "Knock Out" para no fim, ao faltar duas semanas para batalhar, me virem dizer que afinal não ia ter adversário. Parece que não mas essas duas fases em que escrevi para essas batalhas, eu podia ter lançado mais uma mixtape ou até um e.p. só com dicas que ia levar para as batalhas e não o fiz porque as dicas foram construídas para se adaptarem a um adversario em concreto e não à música. Ou seja, em vez de me preocupar comigo, preocupei-me com coisas que nunca aconteceram. Contudo agradeço à Liga a projeção e a oportunidade que me deu de tocar as minhas músicas em eventos da mesma.

 
Dantas- Algum dia te apontaram o dedo pelo estilo de vida que escolheste?
Keno- Depende do estilo de vida que estejas a falar (hahaha), se te referes ao Rap, já foi uma luta mais difícil, antigamente minha família e amigos diziam que eu era maluco, lembro-me de fumar os primeiros charutos e querer dar improviso com a gera do meu meio e eles dizerem que ja tava a bater (hahaha). O Hip Hop (Rap) para mim evoluiu muito nesse sentido nestes últimos anos, tornou-se uma música muito mais ouvida e aqueles que se riam de mim rapidamente mudaram de opinião, agora em vez de se rirem perguntam-me quando lanço cenas novas, porque estou a arrebentar, dão-me props pelas batalhas, etc. Isso acontece porque eu ganhei o respeito e o love dessa gera.
Em casa a luta foi mais difícil, eu tive uma fase por volta dos meus 18 anos em que acreditava ser possível viver da música, fazer dinheiro, mas esquecia-me do pormenor de que só despachar umas cenas e fazer som todos os dias não chegava para nada, o guito mal dava para mim quanto mais para investir na musica. Os meus cotas em casa sempre me tentaram chamar à realidade, mas eu sempre tive este ponto de vista. Com o tempo cresci, acalmei o meu estilo de vida (noitadas, mocas, etc) e vi que em certa parte eles podiam ter razão, a fazer as coisas como eu fazia ninguém chegaria lá, por outro lado esta loucura de viver da musica nunca desapareceu, ainda hoje acredito nisso. Simplesmente sei que enquanto isso não acontecer, tenho de me fazer á vida se quero ter uma. Para finalizar, acho importantíssimo todos nós termos objectivos de vida, vi muitos amigos meus perderem futuros brilhantes por não terem objectivos concretos de quem eram e de quem queriam ser, por isso mesmo o meu principal objectivo de vida é este: viver da música que faço.


Dantas- O que tens a dizer a quem te apoia?
Keno- Que continuem a faze-lo, sem vocês nada seria possível, e sem vocês a motivação começa a sofrer algumas instabilidades difíceis, por isso eu preciso de vocês gera. Quantos mais espalharem a palavra, quantos mais partilharem as músicas com os vossos amigos, quantos mais aparecerem nos concertos, quantos mais nós formos, mais trabalho, tempo e motivação eu vou ter para vos dar. Confesso que não sou o gajo mais ativo nas redes sociais, e falho muitas vezes na resposta a comentários e mensagens privadas, contudo lá por não ser uma pessoa social na rede, não quer dizer que não o seja fora dela, sei que muita gente só conhece a "cara do livro" e não o seu conteúdo, por isso mesmo o meu impulso e aquilo que eu vou ser está nas vossas mãos. Garanto que um dia que tenham a oportunidade de me conhecer e possamos passar um tempo a falar vão perceber facilmente o tipo de pessoa que sou, por isso conto com a gera que me apoiou até agora para espalhar a palavra e ajudar a chegar aos ouvidos aos quais não chego. O futuro somos nós e vocês que apoiam o presente. Estamos Juntos Família!


Dantas- Agora dou-te o espaço para dizeres o que quiseres. Obrigado Keno, estamos juntos! EFHH.
Keno- Vou aproveitar este fim para "vender o nosso peixe" por isso ficam aqui as ligações onde podem acompanhar todo o nosso trabalho:


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